O Mercado Livre é o principal canal de muitos lojistas de Jundiaí, e o programa de logística da plataforma muda a forma como o estoque é controlado. Quem manda mercadoria para um centro de distribuição de terceiros precisa de notas e de inventário que acompanhem esse movimento.
Por Marcos Alberto Trovo, Contador Responsável Técnico, CRC-SP 285717/O-7. Ciências Contábeis com 28 anos de experiência no mercado financeiro assessorando pequenas e médias empresas antes de fundar a Alvo Gestão Contábil em Jundiaí. Conheça a Alvo ou fale pelo WhatsApp (11) 96592-7355.
No Full, o vendedor envia lotes de produtos para um centro de distribuição operado pela plataforma, que guarda, embala e despacha cada pedido. Para o fisco, a mercadoria continua sendo do vendedor: a ida ao armazém é uma remessa para depósito, não uma venda, e precisa sair com nota fiscal própria.
Quando o centro de distribuição fica em outro estado, as regras de ICMS daquele estado também entram na conta. Por isso o roteiro fiscal do Full deve ser montado com o contador antes do primeiro envio, e não depois do primeiro bloqueio de anúncio. As orientações de NF-e estão no Portal Nacional da NF-e.
O estoque guardado no centro de distribuição continua pertencendo ao vendedor e precisa aparecer na contabilidade como mercadoria em poder de terceiros. No fim do ano, ele entra no inventário do vendedor, com base no relatório da plataforma conferido contra as notas de remessa e de venda do período.
As diferenças entre o que foi remetido, o que foi vendido e o que a plataforma diz ter em armazém são o ponto que mais exige atenção. Avarias, extravios e indenizações pagas pela plataforma precisam de registro próprio: a indenização é receita, e a mercadoria perdida sai do estoque com documento.
Com o estoque dividido entre a loja e o armazém, o custo médio de cada item precisa considerar o frete de envio ao centro de distribuição. Essa parcela muda a margem do anúncio e costuma ficar de fora da planilha de precificação.
Quando o armazém aplica cobrança por armazenagem prolongada de itens parados, esse custo também deve entrar na análise do anúncio. Produto que gira devagar no centro de distribuição pode custar mais em diárias do que rende de margem, e a decisão de retirá-lo, liquidá-lo ou doá-lo tem efeito no inventário.
No Mercado Envios Flex, o vendedor entrega no mesmo dia com motoboy ou veículo próprio, em regiões habilitadas pela plataforma. A mercadoria não passa por armazém de terceiros, então não há remessa nem retorno: sai direto do estoque com a nota de venda, e o frete recebido do comprador compõe a receita.
O custo dessa entrega, seja salário de entregador, combustível ou pagamento a um prestador, precisa estar documentado. Entregador contratado de forma recorrente e subordinada caracteriza vínculo de emprego, e motoboy autônomo ou MEI emite o próprio documento pelo serviço. Para o dono, a pergunta prática é quanto cada entrega custa por pedido, contra o que a plataforma repassa de frete.
Na coleta, o transportador parceiro retira os pacotes no endereço do vendedor, e a responsabilidade pelas notas é a mesma da venda comum. O ponto de atenção é a etiqueta: pedido despachado sem nota vinculada fica sem documento fiscal, e a plataforma costuma exigir a chave de acesso antes de liberar a etiqueta.
O valor de cada venda passa pelo Mercado Pago antes de chegar ao vendedor, já descontadas a tarifa de venda, o custo de envio e eventuais parcelamentos assumidos. A contabilidade recebe três números diferentes para a mesma venda: o preço pago pelo comprador, o valor liberado na conta e o que efetivamente foi transferido ao banco.
Na conta do Mercado Pago convivem dinheiro liberado, dinheiro a liberar e valores retidos por reclamação. Só o primeiro é caixa disponível; os outros dois são direitos que podem mudar. Tratar o saldo total como dinheiro em mãos leva a comprar estoque com valores que ainda podem ser estornados.
O relatório de liberações do Mercado Pago é o arquivo mais útil para o fechamento, porque mostra a data em que cada valor ficou disponível. No fechamento, ele é cruzado com as notas emitidas para que a receita declarada no PGDAS-D seja a do mês da venda. Quem vende também em outros canais encontra o roteiro geral em contabilidade para vendedores de marketplace.
A plataforma exige que o CNPJ esteja ativo, que a Inscrição Estadual permita emitir NF-e e que os dados fiscais do anúncio, como NCM e origem do produto, estejam preenchidos. Vendedor com CNPJ suspenso ou inapto, ou com Inscrição Estadual irregular, pode ter os anúncios pausados e os repasses retidos até resolver.
Os cadastros de São Paulo são consultados no Cadesp da Sefaz-SP. A conferência periódica da situação do CNPJ e da Inscrição Estadual entra no acompanhamento mensal da Alvo, junto com as mensagens da Receita Federal. Para quem já teve bloqueio, a página de CNPJ suspenso explica o que costuma estar por trás.
Bloqueios também surgem por divergência cadastral simples: razão social escrita de forma diferente do cartão CNPJ, endereço desatualizado após mudança de sede ou certificado digital vencido no emissor. São correções rápidas, mas que, se esquecidas numa sexta-feira de Black Friday, custam o fim de semana inteiro de vendas paradas.
Anúncios patrocinados dentro da plataforma são despesa de publicidade, cobrada à parte das tarifas de venda e acompanhada de documento fiscal da plataforma. Já o parcelamento sem juros oferecido ao comprador e custeado pelo vendedor é um custo financeiro da venda, que reduz o valor liberado sem mudar o preço da nota.
Separar essas duas contas mostra ao dono quanto custa vender cada produto: a tarifa de venda, o frete, o anúncio que trouxe o clique e o juro absorvido no parcelamento. Juntas, elas podem superar a margem bruta de categorias de preço baixo, e é comum descobrir que o produto mais vendido é o que menos sobra.
Na reunião trimestral, Marcos Alberto Trovo cruza o investimento em anúncios com a margem por categoria e o custo de armazenagem do Full, e revisa a escolha do regime para o ano seguinte com o relatório real de vendas.
Mercado Livre, Mercado Envios e Mercado Pago são marcas de seus titulares. A Alvo não tem vínculo com essas empresas.
Dúvidas comuns de empresários de Jundiaí sobre o tema. Se a sua não estiver aqui, fale com a Alvo.
Tirar minha dúvida →Sim. O envio ao centro de distribuição é uma remessa para armazenagem e precisa de NF-e com a natureza e o CFOP dessa operação. A venda ao comprador tem nota própria.
Pode, com o documento de retorno da mercadoria armazenada. Sem ele, o estoque físico na loja fica sem lastro fiscal e o armazém continua mostrando o item.
Sim. A mercadoria em poder de terceiros continua sendo do vendedor e entra no inventário de fim de ano, conferida com o relatório da plataforma.
A indenização recebida da plataforma é receita da empresa e tem registro próprio, e a mercadoria perdida sai do estoque com documento.
O valor fica retido até a conclusão da reclamação. Se a venda for confirmada, ele é liberado; se houver reembolso ao comprador, a devolução precisa de nota fiscal para sair da receita.
Entra. O frete de envio ao centro de distribuição compõe o custo de aquisição do item armazenado e muda a margem de cada anúncio.
Sim. A Alvo é um escritório de contabilidade de Jundiaí, com contato pelo WhatsApp (11) 96592-7355. O primeiro passo é o Diagnóstico Inicial com Marcos Alberto Trovo.
No Diagnóstico Inicial, Marcos Alberto Trovo confere o cadastro fiscal, o fluxo de notas do Full e a conciliação do Mercado Pago, e mostra o que ajustar no fechamento.
Este conteúdo tem caráter informativo. Conforme o Código de Ética Profissional do Contador (NBC PG 01), decisões tributárias específicas devem ser tomadas com base em análise concreta do caso, mediante contratação de profissional habilitado. Exigências, taxas e prazos são definidos pelos órgãos competentes e podem mudar; consulte sempre a fonte oficial.